Pode o improvável dar certo? Em se tratando de
Atlético, sim. Uma adaptação do técnico Celso Roth no meio-campo,
com três volantes e um lateral esquerdo, tornou-se um dos pontos
fortes da equipe, que ocupa a vice-liderança do Brasileiro. O tema
é analisado pelos jogadores, principalmente os quatro ocupantes do
setor – Jonílson, Renan, Márcio Araújo e Júnior –,
todos elogiado pelo treinador.
A falta de um armador autêntico, para Renan, não é obstáculo para
que outro jogador se adapte à função. “Júnior já jogou nessa
posição no São Paulo. Nós atuávamos juntos.” Ele vê outros
companheiros também capacitados a armar. “Márcio Araújo já
jogou por ali, Carlos Alberto também. Celso Roth tem opções para
mexer no setor, caso haja necessidade.” E atribui à sequência
o sucesso do quarteto. “Com o decorrer dos jogos, vamos
ganhando entrosamento. Cada um percebe qual é a do outro. A
tendência é que o setor cresça ainda mais.”
Para Júnior, a explicação é outra. “Os volantes, hoje, têm de
fazer as duas coisas, atacar e defender. Têm de saber sair jogando
principalmente, pois é o princípio básico da armação das jogadas de
ataque.” Acha que a maior dificuldade talvez tenha sido dele
mesmo. “No São Paulo, joguei nessa posição. Depois, aqui, com
Leão. Mas foram fatos esporádicos. Agora, com Celso Roth, é que
estou sendo efetivado na posição. Senti algumas dificuldades no
início, a maior delas o posicionamento. Confesso que fiquei
perdido, por exemplo, quando íamos ao ataque e perdíamos a bola.
Tinha de voltar para recompor o setor, mas não sabia onde estava,
devido ao longo tempo que passei na lateral.”
O baiano afirma que nunca sonhou em jogar na função normalmente
exercida por quem veste a camisa 10. “Nem nas peladas, quando
menino, eu cheguei a pensar em jogar ali.” Sobre o fato de os
quatro virem dando certo, Júnior diz ser consequência da decisão do
treinador de repetir a escalação. “Não é só o meio-campo, mas
também a defesa e o ataque. Isso é fundamental para o
entrosamento.”
QUEBRA-CABEÇA Para Roth, a filosofia “temos de ser melhores
do que somos” tem ajudado a equipe. Cita como exemplo, além
do meio-campo, as laterais e a zaga, independentemente de quem
jogue. A escolha de Júnior para ser armador é comparada à montagem
de um quebra-cabeça. “Os dois volantes, Jonílson e Renan, têm
capacidade de defender e sair jogando. Do Márcio Araújo, exploramos
a velocidade. Já do Júnior, aproveitamos a experiência. Tudo isso
possibilitou equilibrar o time, o que é fundamental.”
E são os quatro que terão a missão principal amanhã, contra o
Náutico, no Mineirão. Para Roth, a principal arma do time
pernambucano é a velocidade, como no Atlético. “Temos de
anular esse setor para não ser surpreendidos.”
Confiante e embalada pela boa e invicta campanha, a torcida
alvinegra já comprou 26.656 ingressos para a partida de
amanhã.
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Data de criação : 09/04/25 Última atualização : 11/10/17 11:21 / 522 Artigos publicados
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